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EDUCAÇÃO DE A a Z ( VALORES).

Poder do exemplo é muito maior que o da palavra ao transmitir valores.

EDUCAÇÃO DE A a Z ( VALORES).

Cada família tem suas próprias crenças e valores. Para transmiti-los às crianças, os exemplos funcionam muito melhor que as regras. Por isso, de nada adianta ensinar ao filho que não se deve mentir se a própria mãe pede para que ele diga que ela não está quando alguém indesejado telefona.

A observação das crianças com relação às atitudes dos pais é muito mais valiosa do que qualquer palavra. Portanto, ensine coisas positivas por meio do próprio exemplo.

Já na adolescência, é comum que os jovens comecem a questionar alguns valores transmitidos pelos pais, pois a socialização os leva a conhecer – e comparar – outros modelos de família. “Por que na casa do vizinho, o menino de 15 anos pode beber cerveja e eu não?”. Quando este tipo de pergunta chegar, cabe aos pais explicar – e mostrar pelo exemplo – o que é melhor de acordo com suas crenças.

 

As mentiras que as mães contam Para ajudar a criança a entender uma situação dificil, não ha problema em recorrer a uma fantasia.

 

A primeira chance que a autora do blog Mamãe Sabe Tudo Flavia Fiorillo, 45, teve para explicar à filha Ullya sobre a morte foi quando o primeiro peixinho dourado da menina bateu as botas. Como era de se imaginar, Ullya ficou inconsolável com a perda de Nemo e a mãe comprou um novo peixinho para o aquário. No entanto, quando Nemo II não durou mais de quatro semanas, a mãe entrou em desespero. Para evitar o sofrimento duplo da filha, decidiu procurar outro peixe igual e pular a parte do luto. “Ela ia sofrer tudo novamente e aquilo ia partir o meu coração”, diz.

Mas a história tomaria proporções maiores. Flavia não encontrou outro peixe igual, comprou um diferente e acabou inventando o “peixe-borboleta”. Disse à filha: “Você nem imagina: o Nemo II é um tipo raro de peixe que um dia vai dormir, faz um casulo e sai de dentro outro peixe, como a lagarta e a borboleta!”

Encantada com a história, Ullya passou a espalhá-la aos quatro ventos – o que deu ainda mais trabalho para Flavia. Embora passem a vida ensinando seus filhos a não mentir, pais e mães lançam mão de algumas lorotas comuns ao criar as crianças. Mentir pelo bem dos filhos, então, vale?

Enquanto os mercados enchem as prateleiras de ovos de chocolate, muitas crianças aguardam ansiosamente pela chegada do coelhinho da Páscoa, uma invenção muito popular. Mas de acordo com a psicóloga e psicoterapeuta familiar Ana Gabriela Andriani, contar ao filho que um coelho traz ovos de chocolate não é bem uma mentira: é uma fantasia. “Mentira e fantasia são coisas diferentes. A fantasia faz a criança sonhar, estimula a criatividade e possui valores embutidos”, diz. A figura do Papai Noel, por exemplo, passa à criança o senso de justiça e bondade.

Além de datas especiais, outros momentos podem contar com o apoio de uma fantasia. Quando Ullya começou a passar da idade de usar chupeta, Flavia gastou alguns dias tentando abolir o item tão querido da vida da menina. Sem sucesso, a mãe passou a tesoura no bico e disse que a chupeta tinha se quebrado por ter prazo de validade. Mas não adiantou. Aí não teve jeito: “A fadinha teve que levar a chupeta para reciclar para outro bebê”. Ao transferir a responsabilidade para um ser fantástico, Ullya não teve como argumentar. E deu certo.

Da fantasia rumo à realidade

Se a fantasia ajuda a criança a lidar com uma realidade difícil, Ana Gabriela Andriani não vê problema algum no emprego de uma mentirinha. Mas conforme o filho cresce e se desenvolve, a fantasia vai sendo desmistificada e os pais não devem insistir. Se Ullya, hoje com nove anos, questionar a existência da fadinha em algum momento, a mãe precisará deixar para lá a invenção que a apoiou nos momentos difíceis. Foi o que teve de fazer a estudante de moda Tatianne Camara, de 29 anos, quando o filho Yan, de oito, começou a desconfiar que a tia não tinha mesmo virado uma estrela.

A irmã de Tatianne morreu há três anos, no Natal. Yan era muito apegado a ela. Para poupar o menino, ela disse que a tia teve que virar uma estrela para encontrar o papai do céu e ajudá-lo com os afazeres daquela época do ano. Quando o Natal chegou ao fim, a tia não havia voltado e, claro, Yan percebeu. “Eu tentei mostrar, de maneira lúdica, uma coisa que ele não iria entender muito bem”, comenta a mãe. Até que, recentemente, Yan perguntou: “Mãe, eu sei que não é verdade que a tia se transformou em uma estrela. Senão, teria muita estrela no céu”.

A mãe explicou que não tinha como dizer se era verdade ou mentira, já que da morte pouco sabemos. O menino, que foi alimentando a ideia de estrela por anos, assimilou o ocorrido e aceitou.

A estratégia da fantasia usada por Tatianne foi uma forma de minimizar a dor do filho e funciona melhor do que dizer que a pessoa que morreu foi viajar e não sabe quando volta – afinal, a criança ficará esperando.

Fantasias ajudam a criança a superar, aos poucos, realidades difíceis de enfrentar. Mas ao empregar uma mentira para se safar de um momento de estresse merece atenção. Usá-la exageradamente pode criar problemas maiores no futuro, como uma criança que passa a desconfiar dos pais ou a mentir para eles também.

Uma vez sim; um mês, não

Beatriz, de 12 meses, odeia tomar remédio. Então a mãe, Flávia Alves, 20 anos, mistura o medicamento ao suco da filha e torna o momento mais fácil. “É uma mentirinha temporária, sei que um dia ela vai ter que encarar o remédio sozinho e superar o medo”, comenta. Segundo a psicóloga Kátia Teixeira, da Clínica EDAC (Equipe de Diagnóstico e Atendimento Clínico), quando a criança é muito pequena, é realmente difícil fazer com que ela entenda a necessidade do remédio e a pequena mentira é um recurso válido.

Quando a criança já está mais crescidinha, a mentira serve mais como uma escapatória de conflitos. A secretária Silvana Cequete, de 38 anos, confessa que já chegou a desligar a chave geral da casa para tirar o filho Matheus, de nove anos, do computador. “Acabou a luz, vá brincar de outra coisa”, ela dizia ao menino.

Para Ana Gabriela Andriani, não dá para usar esse tipo de mentirinha com frequência. Por mais que seja pelo bem do filho, os pais acabam fugindo de impor os limites eles mesmos. De acordo com Kátia Teixeira, os pais devem principalmente jogar limpo. “Antes de usarem estratégias que sejam consideradas mentiras, tentem usar outras armas. Se a criança não quer sair do computador, a mãe pode tentar deixá-la interessada em outra brincadeira”.

Se nada der certo, não se apavore. “Não é uma única mentira que vai deixar o relacionamento familiar fora do controle”, diz Kátia. E se a criança chegar perto de descobrir a verdade, a psicóloga infantil e orientadora educacional Paula Pessoa Carvalho considera melhor assumi-la logo. “Assim, quando a situação difícil se repetir, os pais não precisarão mais mentir e a criança saberá que pode contar com eles”.