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EDUCAÇÃO DE A a Z (ÚNICO FILHO).

Opção é cada vez mais comum, mas é preciso ter cuidado para não deixar a disciplina de lado

EDUCAÇÃO DE A a Z (ÚNICO FILHO). Optar por ter apenas um filho é uma decisão cada vez mais comum. Segundo o Censo de 1960, a taxa de fecundidade brasileira era de 6,3 filhos por mulher. Em 1980, passou para 4,4. E, em 2010, a média ficou em 1,86 filho por mulher.   Mas a opção deve ser feita com o cuidado de não sobrecarregar esta criança de expectativas e de afeto. Da mesma maneira que deve acontecer em uma família com irmãos, é necessário ter autoridade, impor limites e ensinar comportamentos adequados.   “Muitos pais dizem que preferem ter um único filho para poder dar tudo a ele. Mas esse pensamento não vai ajudar no desenvolvimento dele”, explica a psicóloga Maria Helena Masquetti, do Projeto Criança e Consumo. O excesso de presentes, mimos e até cuidados exagerados pode fazer com que o filho único sinta que tudo gira ao seu redor, entrando em conflito com a realidade no futuro.   Quando seu filho não tem irmãos, é muito saudável e recomendável conviver e interagir com outras crianças desde pequeno, seja na escolinha, com primos ou colegas do condomínio, para estimular a socialização.     Ter dois filhos é mais fácil do que um só? Embora a conta pareça estranha, nem sempre o trabalho e o gasto são exatamente em dobro com a chegada do segundo. Entenda porque

Dados do IBGE mostraram que a média de filhos por mulher diminuiu de 2,39 em 2000 para 1,86 em 2010. A opção pelo filho único anda mais em alta do que antigamente, mas as mães continuam ouvindo a fatídica pergunta: “você não vai dar um irmãozinho para ele?”. A empresária Gabriella Gonçalves, de 30 anos, por enquanto decidiu que não. “É uma furada acreditar que, onde cabe um, cabem dois”. Mas, em alguns aspectos, mães e especialistas acreditam que criar dois filhos pode ser mais fácil do que ter um só.


Antes de tudo é preciso saber que disponibilidade e disposição são requisitos básicos para se ter filhos, independentemente de quantos serão. De acordo com o psicólogo e terapeuta familiar João David Cavallazzi Mendonça, a chegada de outra criança pode dar ao primeiro filho alguém com quem brincar a maior parte do tempo, e isso de fato facilita a vida dos pais.

O importante é fazer uma escolha consciente. Gabriella, por exemplo, acredita que dar um irmãozinho para o filho Pedro, de um ano e três meses, seria uma boa ideia. Mas a questão financeira é o principal impedimento. A princípio, naturalmente, um filho único dá menos gastos que um casal. Assim, é possível proporcionar a ele sempre o melhor de tudo: escola, plano de saúde, babá. Mas quando os pais exageram no investimento, o tiro pode sair pela culatra. “Quando se tem dois filhos, esta necessidade de querer suprir todos os desejos da criança não é tanta e há uma divisão maior entre eles”, acredita João David.

Além da condição financeira, existe a questão da disponibilidade emocional e de tempo. Muitas mães trabalham dentro e fora de casa e Gabriella é uma delas. “Eu trabalho bastante e durante a semana não tenho tanto tempo para o meu filho. Imagina se eu tivesse dois? Ficaria difícil dar a devida atenção”, diz. Por outro lado, ter a companhia de um irmão naturalmente alivia a demanda de atenção dos pais.

Uma das maiores preocupações dos pais de filho único é que a criança não aprenda a dividir e se torne muito egoísta. De acordo com a presidente da Associação Brasileira de Psicopedagogia (ABPp), Quézia Bombonatto, aprender a dividir o espaço diário em uma casa é uma tarefa e necessidade de quem tem irmão. “A criança precisa dividir o banco de trás do carro e o final da sobremesa. Com isso, vai aprendendo aos poucos que nem tudo é para ela”, afirma.

Ter dois filhos, principalmente com poucos anos de diferença, pode dar um trabalho danado no começo. A mãe e dona de casa Maria Aparecida dos Santos Latrofe, 59 anos, que o diga. “Minhas filhas têm dois anos de diferença e, embora tenha sido ótimo criá-las, no início eu passei sufoco”, conta. Tomar conta, amamentar e trocar as roupinhas de duas crianças que crescem juntas não é para qualquer um. Mas quanto mais Bruna e Aline, hoje com 25 e 27 anos, iam brincando juntas, mais se uniam. “Claro que tinham briguinhas, mas com o passar do tempo passaram a dividir roupas e podiam dividir as preocupações também”, analisa a mãe.

Em outros casos, pode demorar um pouco mais para irmãos se tornarem unidos. A representante comercial Maria Fátima de Barros Souza, 48 anos, chegou a achar que os filhos, Natália e Felipe, hoje com 20 e 23 anos, iriam se odiar pelo resto da vida. “Hoje eles são super amigos, mas entre os sete e os 15 anos brigavam muito”, comenta.

Quem tem irmãos sabe que nem sempre a relação é um mar de rosas. A psicóloga e psicoterapeuta familiar Ana Gabriela Andriani e Tania Zagury, mestre em educação e autora dos livros “Educar sem Culpa” (Editora Bestbolso) e “Filhos: Manual de Instrução” (Editora Record), concordam que o ciúme entre irmãos sempre pode virar a mesa. A criança com um irmão pode aprender a aceitar as diferenças com maior facilidade, mas se os pais não estiverem preparados, a competitividade pode entrar em cena. “É comum que o primeiro filho sofra com a chegada do segundo e, por isso, os pais precisam mostrar que nenhum dos dois está competindo pelo afeto deles”, diz Ana Gabriela. Segundo Tania, o menor também pode achar que ao maior tudo é permitido, e sofrer por isso. Tudo depende, portanto, de como os pais administram.