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Banco Central diz que gasolina deve subir este ano, mas não sabe quanto

Até fevereiro, instituição informava que projetava reajuste zero em 2014. Entretanto, nos dois primeiros meses do ano, preço já subiu 0,6%.

Banco Central diz que gasolina deve subir este ano, mas não sabe quanto

O diretor de Política Econômica do Banco Central, Carlos Hamilton, disse nesta quinta-feira (27) que a gasolina deve subir este ano, mas não sabe qual vai ser o reajuste. No mês passado, a instituição projetava reajuste zero até dezembro. O problema é que somente nos dois primeiros meses de 2014 houve um aumento de 0,6% nos postos.

Nesta quinta-feira, por meio do relatório de inflação, a autoridade monetária informou que projeta um aumento de 5% para os preços administrados neste ano, contra a expectativa anterior de 4,5%. Os preços administrados contemplam, entre outros, ônibus interestaduais, energia elétrica residencial, água, planos de saúde, serviços farmacêuticos e telefonia e gasolina.

"Nesses 5% [de aumento estimado pelo BC para os preços administrados neste ano], tem aí algum aumento para a gasolina, que eu não saberia dizer quanto é. Não sei se é além dos 0,6% [de alta na gasolina registrados até fevereiro]", declarou o diretor do BC, Carlos Hamilton, a jornalistas.

 

Reajustes feitos em 2013

No ano passado, houve dois reajustes nos preços da gasolina. O primeiro aconteceu em janeiro, quando a Petrobras reajustou o diesel em 5,4% e a gasolina, em 6,6%. O último reajuste aconteceu no fim de novembro - momento no qual a Petrobras anunciou que os preços da gasolina e do diesel foram reajustados nas refinarias, sendo que a alta foi de 4% para a gasolina e de 8% para o diesel.

 

Nova política de preços

A Petrobras informou, também no fim de novembro, que o conselho de administração da estatal aprovou a implementação de uma nova política de preços, mas "por razões comerciais, os parâmetros da metodologia de precificação serão estritamente internos à companhia".

"Caberá ao Conselho de Administração avaliar a eficácia da política de preços da Petrobras por meio da evolução dos indicadores de endividamento e alavancagem da Companhia", diz o comunicado.

Em outubro, a Petrobras apresentou uma nova metodologia de reajuste, de forma a trazer maior previsibilidade do alinhamento dos preços domésticos do diesel e da gasolina aos praticados no mercado internacional. A proposta, no entanto, encontrou resistência por parte do governo.

 

Energia elétrica

O BC também admitiu nesta quinta-feira que a energia elétrica residencial vai subir mais neste ano. A expectativa anterior da autoridade monetária, feita no fim de fevereiro, era de que os preços da energia avançariam 7,5% neste ano. A nova previsão, anunciada no relatório de inflação, divulgado hoje, é de que a alta será um pouco maior: de 9,5% em 2014.

O diretor do BC respondeu que a alta na projeção "deriva dos modelos que nós utilizamos". "Não houve nenhuma mudança nas ferramentas que consideramos para projetar a inflação deste segmento. Agora, na medida em que vão surgindo novas informações, vamos atualizando nosso conjunto de informação e vamos atualizando as projeções", declarou ele.

Carlos Hamilton informou ainda que o BC não considerou o pacote anunciado recentemente pelo governo federal em sua estimativa. "Não existe nenhuma variável do modelo do pacote. É a metodologia que usamos tradicionalmente", acrescentou o diretor do BC.