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Julgamento de presidente deposto do Egito é suspenso temporariamente

Sessão foi interrompida por juiz após intervenções do réu. Morsi responde por incitar Forças Armadas contra manifestantes.

Julgamento de presidente deposto do Egito é suspenso temporariamente   O julgamento do presidente deposto do Egito, Mohamed Morsi, que responde por supostamente por ter "incitado" as forças de segurança a matar manifestantes em 5 de dezembro de 2012, foi suspenso temporariamente cerca de uma hora após seu início. não se sabe se a sessão, coordenada pelo juiz Ahmed Youssef Sabry, será retomada ainda nesta segunda. O julgamento acontece na Academia de Polícia, nos arredores do Cairo. A audiência atrasou duas horas para ser iniciada começar porque Morsi, primeiro presidente eleito democraticamente no Egitox, não se apresentou com a roupa branca exigida para os detentos. O juiz optou por aguardar pela troca de roupa para iniciar o processo, segundo uma fonte informou à France Presse. Após o início, Morsi assumiu uma postura desafiadora no tribunal, cantando "Abaixo o domínio militar" e alegando ser o único presidente "legítimo" do país, informou uma testemunha da Reuters. O presidente deposto parecia irritado e interrompeu a sessão repetidas vezes, levando o juiz a interromper e suspender os trabalhos temporariamente, disse a testemunha. Do lado de fora da academia, manifestantes que apoiam Morsi e a Irmandade Muçulmana fizeam protestos e foram dispersados por bombas de gás lacrimogêneo lançadas pela polícia. Um total de 20 mil soldados da Polícia e das Forças Armadas foram deslocados para os arredores do tribunal, diante do temor de que os protestos convocados pelos partidários de Morsi derivem em distúrbios. Morsi foi levado de helicóptero ao tribunal onde é julgado ao lado de 14 ex-dirigentes de seu governo. Ele pode ser condenado à pena de morte ou à prisão perpétua. Esta é a primeira vez que Morsi aparece em público desde que foi derrubado em julho passado. Um dos advogados de defesa do presidente deposto disse aos jornalistas do lado de fora do tribunal que o julgamento é “inconstitucional”. O primeiro chefe de Estado eleito democraticamente no Egito, que ficou apenas um ano no poder, foi mantido em detenção pelo exército em um local secreto desde sua destituição, em 3 de julho. O local do julgamento, a Academia de Polícia ao lado da penitenciária de Tora, no Cairo, é onde estão detidos os principais líderes da Irmandade Muçulmana, o movimento islamita de Morsi que foi duramente reprimido pelas novas autoridades militares após o golpe de Estado. Seus partidários, na prisão ou dizimados pela implacável repressão das autoridades instaladas no poder em 3 de julho pelo Exército egípcio, prometeram se fazer ouvir quando o primeiro chefe de Estado democraticamente eleito no Egito aparecer no tribunal. O julgamento reacende o estado de alerta no Egito, pois ameaça agravar as divisões em um país onde milhares de partidários de Morsi morreram na repressão e onde mais de 2 mil islamitas foram presos, entre eles quase toda a direção da Irmandade Muçulmana, a confraria à qual Morsi pertence. Morsi ficou detido em um local secreto desde que, em 8 de julho, os confrontos entre partidários e soldados deixaram 50 mortos diante do local onde se encontrava preso inicialmente, desencadeado uma escalada da violência nas semanas posteriores. A polícia prevê mobilizar 20 mil homens em todo o Cairo durante o julgamento, segundo os serviços de segurança. Ao contrário de seu antecessor, Hosni Mubarak, Morsi já advertiu que não cooperará com a justiça, pois não reconhece sua autoridade, segundo a Aliança contra o Golpe de Estado. A justiça egípcia, que se opôs a Morsi em várias ocasiões durante sua presidência, parece determinada a seguir adiante com o julgamento e ignorar todo tipo de pressão política. Morsi e os outros acusados enfrentam a pena de morte ou a prisão perpétua por fatos que marcaram uma importante mudança em sua presidência. Depois de seis meses no poder, Morsi estabeleceu por decreto ficar acima de todo controle judicial, o que motivou as manifestações contra ele. A Irmandade Muçulmana pediu a seus partidários que desalojassem os manifestantes, provocando cenas de violência que reforçaram a oposição que, seis meses mais tarde, saiu às ruas para reclamar a renúncia de Morsi, o que conseguiu com a ajuda dos militares.